“Este é um momento decisivo para a construção civil”

Segunda-Feira, 23 de julho de 2012

Afirmação é do presidente do Sinduscon-RS, Paulo Vanzetto Garcia, que abriu o 1º Meeting da Construção realizado na última sexta-feira pela Ascon Vinhedos

Mais de 120 profissionais da construção civil participaram do 1º Meeting da Construção promovido pela Ascon Vinhedos na sexta-feira, 20, no Hotel Villa Michelon, no Vale dos Vinhedos. O encontro oportunizou a discussão do cenário vivido pelo setor, suas perspectivas e desafios, além de temas como segurança do trabalho e oportunidades de financiamento. O sucesso de adesão já na primeira edição e a necessidade de criar um momento de debate e reflexão do segmento levou a entidade a inserir o Meeting da Construção no calendário anual de eventos da Ascon Vinhedos.

Satisfeito com a repercussão do evento, o presidente da Ascon Vinhedos, Diogo Parisotto, já pensa na próxima edição. “Preenchemos uma lacuna existente. Temos, ainda, muitos outros assuntos relevantes e profissionais ávidos por informações em torno de temas atuais. Atingimos nosso objetivo e isso nos dá ainda mais determinação para preparar a próxima edição em 2013”, comemorou.

O presidente do Sinduscon-RS, Paulo Vanzetto Garcia, abriu a programação com a palestra assegurando que este é um momento decisivo para o setor. Em 1970, praticamente metade da população brasileira vivia no campo. Nesse período, os Estados Unidos tinha o perfil que o Brasil tem hoje, com 15% apenas vivendo em área rural. “Esse é o grande momento de definir a linha que o Brasil deve adotar em relação à construção civil rumo ao crescimento. Temos que entrar no processo inverso, pois se conseguirmos recuperar o crescimento, esse público que veio do interior será nosso cliente”, salientou.

A construção civil no Rio Grande do Sul emprega hoje, 135 mil trabalhadores formais. Nos últimos anos, o setor atraiu 60 mil trabalhadores, que migraram de outras áreas. Por outro lado, são 120 mil que trabalham na informalidade, em pequenas obras e reformas. “A legislação trabalhista empurra o trabalhador para a informalidade”, destacou o presidente. Apesar da falta de mão de obra existente no Estado, 30 mil trabalhadores oriundos da construção civil estão no seguro desemprego.

Este ano, os bancos devem gerar um crédito imobiliário na ordem de R$ 100 bilhões, valor que vem crescendo a cada ano. Garcia explica que mesmo assim é preciso de balança comercial favorável e indústria produzindo. “A construção civil não é uma ilha”, frisou. A idade produtiva atual vai dos 20 aos 55 anos, uma faixa que trabalha, produz e compra.

Paulo Garcia também ressaltou que não há nenhum indicador que o preço dos imóveis vai baixar. “Os preços aplicados atualmente recuperam o que foi perdido no passado, além de serem reflexo de custos muito mais altos. Além disso, a produtividade e a qualidade das obras também caiu”, esclareceu. O presidente do Sinduscon-RS disse, ainda, que 2005 é um marco que diferencia o passado do que o setor vive hoje. “Foi nesse ano que começou uma discussão séria entre setor, bancos e Governo Federal, o que propiciou o crescimento do segmento. Isso porque o governo da época compreendeu que a construção civil contrata rapidamente trabalhadores de baixa escolaridade, o que ajuda a diminuir a miséria no Brasil. E o Minha Casa, Minha Vida foi o que impulsionou essa mudança”, pontuou.

Mudanças à vista
O engenheiro de Segurança do Trabalho, Sérgio Luiz de Macedo Ussan, chamou a atenção para as mudanças previstas na legislação. Com informações privilegiadas de Brasília, Ussan adiantou que a construção pesada vai entrar junto com a construção civil na Norma Regulamentadora (NR) 18. As modificações, previstas para dezembro, já somam um texto de 140 páginas, que deverá passar por consulta pública. “Não serão mais aceitos elevadores de obras com um cabo, nem andaimes como os atuais, que em quatro anos irão para o lixo. O problema é que a indústria não conseguirá atender a demanda”, alertou.

Outro ponto destacado pelo palestrante foi o das betoneiras em uso, em sua totalidade fora dos padrões exigidos pela NR 12. O curioso é que não há nenhuma indústria que produz conforme o que a legislação determina, situação que passa batido devido a falta de fiscalização. “O que o governo quer é que as construtoras cobrem da indústria a fabricação de um novo produto”.

“Estamos nos defendendo da fiscalização e não fazendo segurança. O que os empresários estão fazendo para a segurança no futuro? Precisamos de uma participação mais efetiva”, disse. Ele desafiou as empresas da construção civil da Serra Gaúcha a assumir o compromisso de fazer segurança em obra, dar treinamento e firmar parceria com os sindicatos.

Mais dinheiro para financiamento
O gerente de Clientes de Negócios da Construção Civil da Caixa Econômica Federal de Brasília, Ubiraci Rodrigues, garantiu que hoje tem muito dinheiro para financiamento em habitação. Segundo ele, 73% do mercado imobiliário no Brasil tem participação da Caixa. Em 2011, a Caixa registrou uma aplicação de R$ 80 bilhões, 10 vezes mais que 2008. A meta da Caixa para este ano, que era de R$ 90 bilhões, deverá chegar a R$ 110 bilhões. “Pouco para o que precisa”, afirmou Rodrigues.

Seguindo a evolução do crédito imobiliário em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil, em 2014 o percentual deverá ser de 11%. Para isso, o investimento deverá ser de R$ 300 bilhões. Hoje, com R$ 110 bilhões, atingimos 5% do PIB. Somente na Serra Gaúcha, a Caixa aplicará mais de R$ 1 bilhão em construção civil somente este ano. De janeiro a junho, foram contratadas 5.537 unidades habitacionais na região. “Não vai faltar dinheiro. Preparem-se para as vendas mais paulatinas. Não vai ter uma valorização tão grande”, assegurou Ubiraci Rodrigues.

Fotos: Cáren Cristine Dal Mas

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