Um raio X da construção civil

Sábado, 08 de junho de 2013

Mais de 150 empresários da área da construção civil de Bento Gonçalves e região participaram, na noite de sexta, 7 de maio, da segunda edição do Meeting da Construção da Ascon Vinhedos. Realizado no Vale dos Vinhedos, o encontro apresentou as palestras de dois nomes de peso do setor no Rio Grande do Sul e no Brasil. José Carlos Rodrigues Martins, vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e Paulo Vanzetto Garcia, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS) abordaram desafios, dilemas e perspectivas para o setor.

Em uma apresentação recheada de questões polêmicas, Garcia abordou o tema “Fiscalização e Construção Civil: relação saudável é sinônimo de melhores condições do trabalho e segurança ao trabalhador”. Ele abriu sua apresentação destacando os problemas existentes na fiscalização de segurança em obras no Rio Grande do Sul. “A fiscalização no RS é embasada no conflito. Cada fiscal faz a sua norma sobre segurança e a superintendência regional do trabalho é omissa em relação a isso. Atualmente a relação entre empresários e fiscais é muito conflituosa devido a problemas de discrepância na aplicação da Lei”, destacou.

O presidente do Sinduscon RS ainda apresentou casos definidos como absurdos na fiscalização de segurança em obras. “O profissional que trabalha sob o sol agora é comparado a um que atua em caldeiras, por exemplo. Assim, é necessária uma série de novos itens de segurança, como óculos de sol e filtros solares. Porém, conhecemos o caso de um fiscal que passou o dedo no rosto do trabalhador para avaliar a quantidade de protetor que ele havia passado. Outro fiscal mandou fechar janelas de obras com tapumes como medida preventiva ao suicídio. São casos absurdos. Para se ter uma idéia, a betoneira gaúcha precisa ser diferente da betoneira do resto do país porque os fiscais do trabalho não aceitam o equipamento gaúcho que, claro, é mais caro”, relatou Garcia.

Para fechar, o palestrante destacou a necessidade de melhora nas relações definidas por ele como “litigiosas” entre fiscais e empresários. Ainda relatou a necessidade de maior critério e abordagem contextual nos índices de acidentes de trabalho no setor e a busca de maior diálogo junto aos órgãos governamentais.

Atual vice-presidente da Cbic e apontado por muitos como próximo presidente, José Carlos Rodrigues Martins apresentou uma abordagem histórica do setor no Brasil, destacando sua evolução desde os primeiros anos da década de 1990. “Os volumes de negócios e investimentos se multiplicaram, principalmente na última década. Hoje, para se ter uma idéia, 50% de tudo o que se investe no Brasil é oriundo da Construção Civil”, destacou.
Porém, Martins chamou a atenção para os problemas enfrentados pelos empresários da área no Brasil atualmente. Problemas que estão ligados principalmente ao que ele definiu como “hipertrofia em um estado que parece ser estruturado para não fazer”. “Há um grande problema no nosso ambiente de negócios devido a questões como a demora na avaliação de licenças ambientais, a burocracia dos cartórios que funcionam em um regime ultrapassado de concessão, entre outros. Para se ter uma idéia desse problema basta avaliar o índice de execução das obras do PAC, que hoje é inferior a 1% do contratado. Assim, uma obra contratada para durar dois anos, por exemplo, pode levar mais de 100 meses. E essa situação, muitas vezes, está alicerçada em problemas oriundos do estado, que não acompanhou o avanço do setor”, ressaltou Martins.

Sobre o futuro e tendências para o mercado de construção civil no país, o vice-presidente da Cbic analisou como extremamente importante a abertura de concessões para aeroportos, estradas e rodovias, realizada pelo Governo Federal. “Hoje há uma estabilização nas contratações de mão de obra do segmento habitacional. Em compensação ocorre um movimento inverso e forte crescimento na mão de obra para obras de infraestrutura. Isso está ligado, também, ao fato do governo abrir mão bases ideológicas e fazer o que é preciso, abrindo espaço para investimentos na casa de R$ 100 bilhões em infraestrutura”, avaliou Martins, que ainda abordou aspectos relativos a necessidade de desonerações em folha de pagamento e diálogos recentes com o governo em sua palestra.

São patrocinadores da Ascon Vinhedos a Infix Engenharia, Bento Concretos e Meber, metais que conquistam.

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